O que é o Projeto Parto Adequado?

O Projeto Parto Adequado é uma iniciativa conjunta da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), do Hospital Israelita Albert Einstein e do Institute for Healthcare Improvement (IHI), com o apoio do Ministério da Saúde, em implementação em hospitais privados e públicos, com vistas à melhoria da atenção ao parto e nascimento.

O objetivo do projeto é, em conjunto com os hospitais participantes, elaborar, testar, avaliar e disseminar modelos de atenção a parto e nascimento que favoreçam qualidade dos serviços, valorizem o parto normal e contribuam para a redução dos riscos decorrentes de cesareanas desnecessárias. Com isso, busca-se melhorar a segurança do paciente e a experiência do cuidado para mães e bebês.

O Brasil lidera o ranking global de cesareanas com cerca de 84% dos partos realizados pela rede particular, enquanto a comunidade médica internacional considera que a taxa ideal de cesárea seria entre 10% e 15%, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). O número expressivo reacendeu o debate sobre parto normal X cesárea, após divulgação de uma série de medidas anunciadas pela Agência Nacional de Saúde (ANS), para reduzir o número de cesáreas e incentivar o parto normal.

Parto Normal

O parto normal ou vaginal é a forma fisiológica dos bebês nascerem. Já a cesariana é uma via abdominal para o nascimento, que pode ser necessária em casos devidamente indicados, garantindo o bem-estar do binômio mãe e recém-nascido.

Desta forma, podemos dizer que cada mulher terá seu parto da forma mais adequada, desde que as individualidades de cada gestação e de cada gestante sejam respeitadas. O trabalho de parto na gestação a termo, ter contrações uterinas ou rompimento espontâneo da bolsa, pode trazer muitas vantagens para a mãe e para o bebê por uma série de fatores.

Metodologia aplicada

A metodologia aplicada para escolher a população alvo de gestantes a serem atendidas baseia-se na Classificação de Robson, que foi recomendada em 2011 pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como sistema de classificação das gestantes.

A classificação é simples e permite que todas as gestantes internadas para o parto possam ser classificadas em um dos 10 grupos, usando cinco características básicas:

  • Paridade (se teve filhos, com e sem cesárea anterior, ou se nunca teve filhos);
  • Início do parto (espontâneo, induzido ou cesárea antes do início do trabalho de parto);
  • Idade gestacional (pré-termo/prematuro ou termo);
  • Apresentação/situação fetal (cefálica, pélvica ou transversa);
  • Número de fetos (único ou múltiplo).

Classificação de Robson

Depoimento da Dra. Magali Queiroz Duarte Torres

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Conheça os principais benefícios do parto normal para:

Gestante

Há possibilidade para aliviar a dor durante o trabalho de parto e na hora do parto: massagens, banhos no chuveiro, música, entre outras técnicas de relaxamento ajudam a futura mamãe a ficar mais tranquila, pois dessa forma, a mulher ficará mais segura e sentirá menos dor.

Alimentação livre: no parto normal, não existe a necessidade de suspender a alimentação da mulher. A alimentação deve ser oferecida de uma maneira natural, com alimentos leves e saudáveis e que ofereçam energia.Menor exposição aos riscos de uma cirurgia: diminui a chance de infecção e efeitos colaterais do anestésico e dos medicamentos utilizados.

Liberdade para a posição de parto e para caminhar: durante o trabalho de parto e na hora do parto, a mulher tem a liberdade para escolher qual posição fica mais confortável para ela. Dessa forma, há menos dor e menos necessidade de realização de cortes na vagina. Já as caminhadas, que também são estimuladas nesse momento, junto a um acompanhante escolhido pela própria mulher, auxiliam e tornam mais rápido e fácil o trabalho de parto.

Melhor adaptação ao pós-parto: diferentemente da cesárea, no parto normal a mulher não terá ferida pós-operatória abdominal, nem sentirá dor decorrente de cirurgia, ou dificuldade para se movimentar, até mesmo para cuidar do bebê.

A mulher no puerpério tem uma rápida involução uterina (redução do volume uterino) no parto normal com menor chance de hemorragia que após a cesareana. 

Bebê

Menor risco de doenças respiratórias e de broncoaspiração, que é quando há a eliminação das secreções do pulmão do bebê durante a expulsão.

Menos intervenções feitas junto ao bebê, como por exemplo, aspiração com sonda, da boca, nariz e traqueia, e também a diminuição dos riscos relacionados a cirurgias.

No parto normal, a amamentação pode acontecer logo após o nascimento. O leite materno, nesses casos, não sofre as ações dos agentes e dos medicamentos utilizados no pós-operatório da mãe. Outro benefício da amamentação é que ela auxilia no fornecimento de anticorpos e hidratação, proporcionando menores riscos de hipoglicemia, diarreias e desidratação ao bebê.

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